Quem Somos
Quem Somos
Se você chegar aqui às seis da manhã, vai me encontrar de bota, no meio do curral, chamando a Mimosa pelo nome. Ela responde. Faz isso desde bezerra.
Eu sou a Samara Lopes Gatto. Nasci e fui criada aqui no Paiolinho, distrito de Parapeúna, em Valença, no Rio de Janeiro — a 643 metros de altitude, bem na divisa com Minas. Sou médica veterinária, mestre e doutora pela UFRRJ, e passei anos achando que ia viver de universidade. Aí eu conheci o Léo. Ele era engenheiro civil na cidade grande, veio passar um fim de semana no sítio e nunca mais foi embora. Eu imaginava voltar pra roça lá pelos cinquenta. Vim bem antes. E não me arrependo nem um pouquinho.
Aqui em casa, leite não é negócio novo. Em 1900 chegou nessas terras meu trisavô Joaquin. Depois veio o Orestes, meu bisavô. Depois o vô Manuel, que graças a Deus ainda está aqui pra contar tudo. Depois o meu pai, o Donizete. E aí eu. Cinco gerações tirando leite no mesmo chão. A diferença é que eu fui a primeira da família a transformar esse leite em queijo.
Somos uma família trabalhando junto, e aqui ninguém tem só uma função. Meu pai, minha mãe Célia, eu, o Léo — a gente se reveza no curral, na queijaria, na entrega, no que precisar. É assim que agricultura familiar funciona de verdade.
São, em média, 35 vacas em lactação — um tri-cross de Gir, Holandês e Jersey, que junta a rusticidade da Gir, o volume da Holandesa e a gordura da Jersey. Elas vivem soltas, em 8 hectares de piquetes rotacionados. No cocho vai cana, silagem de capiaçu e silagem de milho: tudo plantado aqui dentro. A gente não compra ração, não fornece concentrado, não traz comida de fora.
Sabe o que isso significa na prática? Que a nossa média de leite por vaca é baixa. Bem mais baixa que a de um confinamento. E está tudo certo. Vaca de confinamento come milho e farelo pra render litro; a minha come capim e anda no pasto. São uns 350 litros por dia, e cada litro desses eu sei exatamente de onde veio, o que a vaca comeu na véspera e em que piquete ela estava. Isso a gente chama de rastreabilidade. Numa fazenda desse tamanho, ela acontece naturalmente — e é uma coisa cada vez mais rara de encontrar.
Do outro lado da porteira fica o ateliê, nossa queijaria. Ali nascem os queijos maturados, a manteiga, o iogurte e o doce de leite da vó Tude — Gertrudes, minha avó, que me ensinou a receita do jeito que a mãe dela tinha ensinado. No começo a gente fazia no tacho de cobre, no fogão a lenha, mexendo às vezes oito horas seguidas. Hoje temos panela elétrica, e ainda bem: a receita continua a mesma, o braço é que agradece.
E olha, esse doce levou Super Ouro no Mundial do Queijo do Brasil de 2024 — a medalha mais alta do concurso. Nossos queijos, os iogurtes e até a manteiga clarificada também já voltaram para casa com medalhas nacionais e internacionais.
Nossa história já foi parar na televisão: a Juliana Sana veio até aqui gravar o quadro Belezas da Terra, exibido pra todo o Brasil dentro do programa É de Casa, da Globo. Uma querida. Conquistou todo mundo no sítio, das vacas à vó Tude.
Somos agroindústria familiar registrada desde 2020, com Selo ARTE, selo da Agricultura Familiar e inspeção SIM 002/2021 da Secretaria de Agricultura de Valença.
É isso. Comida de verdade, feita por gente que você pode chamar pelo nome.
Vem provar.
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